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Atualmente, a homossexualidade é condenada em cerca de 80 países.
Graças à internet e seus sites de encontro, o contato com homens e mulheres de qualquer lugar do mundo é possível, mesmo nestes países onde as minorias sexuais são criminalizadas pela força da lei.
Movido por essa constatação, senti então a vontade de realizar um trabalho sobre autorretratos, reunindo fotos de homossexuais que escondem seus rostos.
Meu objetivo era propagar informações sobre as terríveis ameaças que homens e mulheres, nestas condições, enfrentam em diversos países, apresentando suas fotografias, juntamente com depoimentos pessoais e as leis que vigoram em cada localidade.
Para iniciar meu contato virtual e convencer todas as pessoas aqui apresentadas, defini como regra primeira incluir apenas aqueles internautas de sites de relacionamento que estivessem conectados ao mesmo tempo em que eu.
Isso explica a ausência de autorretratos femininos. Como a relação que adquiri com estas pessoas se baseava na confiança frente ao risco que assumiram concordando em participar deste projeto, jamais poderia mentir e me fazer passar por uma mulher, cadastrando-me em um site de encontros para lésbicas.
Ao contatar cada participante, eu sempre pedia os mesmos elementos:
- a inicial do nome, a idade e a cidade de residência;
- uma foto com o rosto escondido;
- um depoimento pessoal;
- a frase "No meu país, minha sexualidade é um crime" em sua língua materna.
Logo em seguida eles estavam livres para interpretar minhas solicitações. A única recomendação precisa e clara que fiz era a de que eles não deveriam ser reconhecidos, a fim de garantir a sua segurança.
Os homossexuais, homens e mulheres, nascidos ou residentes em um país onde sua sexualidade é um crime, vivem como condenados.
Podemos dizer que a internet, enquanto janela aberta para o mundo, ao menos um pouco, conseguiu transformar suas existências.
Philippe Castetbon - Curador